As certezas do crente
INTRODUÇÃO
1. O apóstolo João termina a sua carta recapitulando as três provas
fundamentais que revelam um crente verdadeiro:
a) A prova doutrinária – v. 1,5
b) A prova social – v. 1,2
c) A prova moral – v. 2,3
2. Após desmascarar os falsos profetas que disseminavam suas heresias
tentando enganar os crentes, mostrando que eles não conhecem a Deus, não são de
Deus, mas são do maligno, do mundo e por isso, saíram da igreja – João, agora,
vai falar sobre sete certezas que marcam a vida do verdadeiro crente.
3. Quais são essas certezas? A palavra sabemos ocorre 39 vezes nesta carta e
8 vezes apenas neste capítulo. A vida que é real é construída sobre certezas e
não sobre especulações. Então, o que nós sabemos?
I. TEMOS A CERTEZA DE QUE QUEM É NASCIDO DE DEUS AMA A DEUS E AOS
IRMÃOS – V. 1-5
1. É impossível amar os filhos de Deus sem amar a Deus, como o é amar a Deus
sem amar seus filhos (4:20,21). Uma relação familiar une os dois amores.
2. O amor de Deus tem uma segunda consequência inevitável, a saber, a
obediência. Se amamos verdadeiramente a Deus, não somente amamos os seus
filhos, mas também praticamos os seus mandamentos. O amor a Deus não é tanto uma
experiência emocional como obediência moral. O amor aos irmãos expressa-se em
serviço sacrificial (3:17,18) e o amor a Deus em obediência aos seus
mandamentos (5:2).
3. Os mandamentos de Deus não são penosos por duas razões: 1) Porque amamos
a Deus e quem ama obedece com alegria e não como uma obrigação; 2) Porque
recebemos poder – pela fé vencemos o mundo. Quando nos deleitamos em Deus temos
prazer em obedecê-lo. Quando nos deleitamos em Deus vemos os atrativos do mundo
como lixo.
4. Concluindo: O cristão verdadeiro, nascido de Deus, crê no Filho, ama a
Deus e aos filhos de Deus, e guarda os mandamentos de Deus. A fé, o amor e a
obediência são marcas do novo nascimento.
II. TEMOS A CERTEZA DE QUE JESUS CRISTO É DEUS – V. 6-10
1. Como podemos saber que Jesus Cristo é Deus? Os principais sacerdotes e os
fariseus do seu tempo o chamaram de embusteiro (Mt 27:63). Outros disseram que
ele foi um religioso fanático. Os gnósticos diziam que ele era apenas um homem
sobre o qual veio o Cristo no batismo, o qual o deixou quando foi crucificado.
Ário disse que ele foi o primeiro ser criado por Deus. As Testemunhas de Jeová,
dizem que ele não é igual a Deus. Os espíritas dizem que ele foi um grande
Mestre. Os Muçulmanos dizem que ele é apenas um grande profeta. Mas de fato,
quem é Jesus?
2. O apóstolo João fala sobre 3 testemunhas na terra (v. 6,8) e três
testemunhas no céu (v. 7). O céu e a terra testificam a divindade e a
humanidade de Cristo. A redenção jamais poderia ser efetuada se Jesus não fosse
Deus e Homem ao mesmo tempo.
3. A água, o sangue e o Espírito têm o mesmo propósito: testemunhar a
manifestação de Jesus Cristo.
4. O que significa a água e o sangue? a) os dois sacramentos (Lutero e
Calvino); b) o golpe de lança e o fluxo de água e sangue do lado de Jesus (Agostinho);
c) o batismo e a morte de Cristo (Tertuliano). A terceira posição é a mais
coerente, visto que João está combatendo a heresia de Cerinto que ensina que o
Cristo veio sobre Jesus no batismo e retirou-se dele na cruz. João está
refutando aquela heresia e acentuando a unidade da carreira de Jesus Cristo.
João mostra Jesus é o mesmo desde o seu nascimento até sua morte e para todo o
sempre. Ele é o homem Jesus e o Cristo de Deus.
5. A defesa que João faz da verdade não é sobre assunto secundário: Se o
Filho de Deus não tomou a nossa natureza em seu nascimento e os nossos pecados
em sua morte, ele não pode reconciliar-nos com Deus.
6. Temos ainda o testemunho do Espírito. Assim temos dois tipos de
testemunho: objetivo e subjetivo, histórico e experimental, água e sangue por
um lado e o Espírito por outro.
7. O propósito do testemunho de Deus no céu e na terra a respeito do seu
Filho é que creiamos nele (v. 10).
III. TEMOS A CERTEZA DE QUE AQUELES QUE CRÊEM EM CRISTO TÊM A VIDA
ETERNA – V. 11-13
1. Nós sabemos que temos a vida eterna não apenas pelo testemunho interno do
Espírito, mas também pela revelação da Palavra (v. 13).
2. João escreve seu evangelho para os inconversos para que eles creiam (Jo
20:31). Ele escreve esta carta para os crentes, para que eles saibam que têem a
vida eterna (5:13).
3. A vida eterna é um presente e não alguma coisa que nós compramos ou
merecemos (Ef 2:8,9; Jo 10:27-29). Mas este dom é uma Pessoa – Jesus Cristo.
Nós não apenas recebemos vida eterna de Cristo, mas em Cristo (5:12). A vida
eterna está em seu Filho e não pode ser encontrada em nenhum outro lugar. É
impossível ter a vida em Cristo, porque Cristo é a vida (1:2; 5:12). Não apenas
vida, mas A VIDA (5:12; 1 Tm 6:19).
4. O dom da vida eterna é recebido pela fé. Deus deseja que os seus filhos
saibam que eles pertencem a ele. Eis as características dos filhos de Deus
nesta carta (2:29; 3:9; 3:14; 4:7; 5:4; 5:13).
5. O propóstio de João nesta carta é que os seus leitores ouçam, ouvindo
creiam, crendo, vivam, e vivendo saibam.
6. Resumindo: estes versos nos ensinam: 1) que a vida eterna não é um prêmio
a que fazemos jus, mas uma dádiva que não merecemos; 2) a vida eterna se acha
em Cristo; 3) este dom da vida eterna em Cristo é uma posse atual.
IV. TEMOS A CERTEZA DE QUE DEUS RESPONDE AS NOSSAS ORAÇÕES QUANDO
ELAS ESTÃO AFINADAS COM A SUA VONTADE – V. 14-15
1. Uma coisa é saber que Jesus Cristo é Deus e que nós somos filhos de Deus,
mas o que fazer com as nossas necessidades e problemas da vida diária? Jesus
ajudou as pessoas quando andou aqui no mundo. Ele ainda ajuda-nos? Os pais
terrenos cuidam dos seus Filhos. O Pai celestial também cuida de nós?
2. Para que a nossa oração seja respondida, ela precisa passar por alguns
crivos:
a) Há algum pecado inconfesso em nossa vida? (Sl 66:18; 1 Pe 3:7; Mt 5:23-25).
b) Estou orando dentro da vontade de Deus? (Mt 6:10; Rm 8:26-27)
c) Estou orando com fé e confiança? (1 Jo 5:14-15; Tg 1:6)
3. A oração não é um recurso conveniente para impormos a nossa vontade a
Deus, ou para dobrar a sua vontade à nossa, mas, sim, o meio prescrito de
subordinar a nossa vontade à de Deus. É pela oração que buscamos a vontade de
Deus enos alinhamos com ela.
4. Jesus, sendo Deus, não abriu mão de uma vida intensa de oração. O
Espírito Santo ora por nós com gemidos inexprimíveis. Temos nós orado com
intensidade, com fervor, com perverança, com eficácia?
V. TEMOS A CERTEZA DE QUE DEUS PODE SALVAR PESSOAS DA MORTE PELA
INSTRUMENTALIDADE DAS NOSSAS ORAÇÕES – V. 16-17
1. A atitude do crente em relaçãos àqueles que caem não é de atirar pedras
nem de condenar, mas de orar por eles – v. 16. Não podemos orar por uma pessoa
e continuar desprezando-a ao mesmo. Não podemos orar por uma pessoa e sentir
mágoa por ela ao mesmo tempo (Mc 11:24,25).
2. Deus nos dá a garantia de que quando oramos por uma pessoa que está em
pecado, Deus a salva por meio da instrumentalidade das nossas orações. Pedir é
a parte do homem, dar é a parte de Deus. Temos nós orado pelos nossos parentes
e amigos? Temos feito das nossas um clamor por salvação na igreja? Temos
sentido as dores de parto até que Cristo seja formado nas pessoas a quem
amamos?
3. Jesus orou por Pedro quando Satanás estava peneirando a sua vida (Lc
22:31-32). O profeta Samuel disse para o povo: “Longe de mim pecar contra Deus,
deixando de orar por vós”.
4. Contudo, nem todo pecador pode receber vida em resposta à oração. João
fala que há pecado para a morte. Em certo sentido todo o pecado é para a morte,
visto que a morte é o salário do pecado (Rm 6:23). Mas aqui significa pecado
sem perdão.
5. O que é pecado para a morte? 1) Um pecado específico? Com base neste
versículo a Igreja Romana criou a classificação de pecados veniais e pecados
mortais; 2) Apostasia? Estaria João falando dos falsos mestres que saíram de
dentro da igreja (2:19)? 3) A Blasfêmia contra o Espírito Santo? Cremos que
João está falando desse terrível pecado deliberado e consciente da rejeição da
verdade conhecida, ao ponto de atribuir as poderosas obras de Jesus,
evidentemente feitas pelo Espírito de Deus à ação de Satanás (Mt 12:28; Mc
3:29).
VI. TEMOS A CERTEZA DE QUE AQUELES QUE SÃO NASCIDOS DE DEUS NÃO
VIVEM NA PRÁTICA DO PECADO – V. 18-19
1. Os dois versos anteriores (v. 16,17), diziam respeito ao pecado para a
morte referente aos descrentes. Bem diverso é o caso daqueel que nasceu de
Deus. O crente não vive na prática habitual e continuada do pecado (3:9; 5:18).
O cristão emancipou-se do poder do pecado. O novo nascimento resulta em novo
comportamento. O cristão tem uma nova natureza, uma nova mente, um novo
coração. Portanto, tem novos desejos. O pecado e o filho de Deus são
incompatíveis. Podem encontrar-se ocasionalmente; não podem conviver em
harmonia.
2. Aquele que nasceu de Deus é diferente daquele que é nascido de Deus.
Aquele que nasceu de Deus é Jesus e não o cristão. Ou seja, não é o cristão que
se guarda, mas que Cristo o guarda. É o Filho de Deus que mantém o salvo.
Aquele que nasceu de Deus guarda a todo aquele que é nascido de Deus.
3. Mas por que aqueles que são nascidos de Deus precisam ser guardados? Eles
não são imunes à tentação? Não! O diabo, o maligno, está sempre procurando
atingir os filhos de Deus. Ele mente para os crentes (Gn 3:2), ele inflinge
sofrimento (2 Co 12:7-9), ele infla o orgulho (1 Cr 21:1). Mas Jesus se manifestou
para destruir as obras do diabo (3:8) e Jesus guarda ou mantém seguro os filhos
de Deus (5:18). A palavra tocar só aparece em João 20:17 (deter). Esta é a
petição que fazemos no final da oração do Senhor “livra-nos do mal”. Jesus é
quem nos guarda e nos protege do maligno.
4. O maligno não toca no cristão, mas o mundo está irremediavelmente em suas
garras. No filho de Deus o maligno nem chega a pôr as suas mãos; o mundo jaz em
seus braços. O mundo está no maligno, em suas mãos e sob o seu domínio, mas os
crentes estão guardados por Cristo (v. 18,19).
VII. TEMOS A CERTEZA DE QUE A VIDA CRISTÃ É A VIDA VERDADEIRA – V.
20-21
1. Jesus Cristo é o verdadeiro Deus. Ele é a verdadeira vida. Nós estamos
nele. Nós somos guardados por ele. Nós temos a verdadeira vida. João está
escrevendo esta carta possivelmente para a igreja de Éfeso. Era uma cidade de
muitos deuses. Ele o centro do culto de Diana. O culto dos ídolos era um culto
falso, promete uma vida falsa. As heresias do gnosticismo viviam uma vida falsa
e prometiam um futuro falso, mas os crentes têm a verdadeira vida!
2. É uma aberração quando os crentes que têm a verdadeira vida buscam imitar
o mundo que jaz no maligno. Se temos a verdadeira vida, porque procurarmos
rebuscar o lixo do mundo? Porque procuramos imitar o mundo?
3. Jesus é o verdadeiro: esse é o grande tema de João. Ele é a verdadeira
luz (Jo 1:9), o verdadeiro pão (Jo 6:32), a verdadeira videira (Jo 15:1). Ele é
a verdade (Jo 14:6). Ele é a verdadeira vida eterna(1 Jo 5:20). O mundo vive de
aparências. Ele não conhece a realidade. Nós temos a realidade. Nós temos
Jesus. Sem ele não poderíamos conhecer a Deus nem vencer o pecado. A religião
cristã é tanto histórica como experimental, e não uma coisa sem a outra.
4. O v. 21 traz uma exortação: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. O Filho
de Deus nos guarda do maligno (v. 18), mas isso não nos isenta da
responsabilidade de guardarmo-nos do maligno. A palavra guardar aqui é
diferente do verso 18, e significa vigiar. Na verdade o que João está dizendo
é: não abandone o real pelo ilusório. Todos os substitutos de Deus são ídolos e
deles o cristão deve guardar-se vigilante.
ESTUDA E ALIMENTA-SE
DA PALAVRA, AMADA SUBRINHA QURERO VER VC SERVINDO A DEUS!
Rev. Hernandes Dias
Lopes
